Módulo 1 · Tópico 1.4 · Tempo estimado: 2h30

Ter internet não basta: é preciso ter uma conexão de qualidade, equipamentos adequados, habilidades digitais e ambientes que funcionem para todas as pessoas, com ou sem deficiência.

Nesta página você vai:

  • compreender a inclusão digital como direito e como questão de equidade;
  • conhecer estratégias para estudar com pouca conexão;
  • entender o que é acessibilidade digital e usar os recursos de acessibilidade do AVA;
  • produzir mensagens e materiais mais acessíveis;
  • refletir sobre o uso sustentável da tecnologia.

1. Inclusão digital é direito

O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) estabelece que o uso da internet no Brasil tem como objetivo promover o direito de acesso à internet a todas as pessoas (Brasil, 2014a, art. 4º) e que as iniciativas públicas devem promover a inclusão digital e reduzir as desigualdades, sobretudo entre as regiões do país (Brasil, 2014a, art. 27). A Política Nacional de Educação Digital (Lei nº 14.533/2023) tem a inclusão digital como o primeiro dos seus quatro eixos, ao lado da educação digital escolar, da capacitação e especialização digital e da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias da informação e comunicação (Brasil, 2023).

Na prática, ainda há muita desigualdade. Um estudo do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostrou que apenas 22% da população brasileira com 10 anos ou mais tinha condições satisfatórias de conectividade significativa, um indicador que considera a qualidade da conexão, o tipo de equipamento, o custo e o local de uso (Cetic.br, 2024). Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2024, o nível mais alto de conectividade significativa alcança 24% da população nas áreas urbanas e apenas 5% nas áreas rurais (Cetic.br, 2025).

Figura 1 – Morador da comunidade indígena de Santa Rosa del Isiboro, na Bolívia, usa o celular após a instalação de uma antena de internet móvel

Homem indígena de boné e mochila fala ao celular em frente a uma construção de tijolos em uma comunidade.

Fonte: Tamayo (2018), Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

A chegada da conexão muda a vida das comunidades, mas a qualidade e o custo do acesso continuam sendo desafios em toda a América Latina.

No Brasil, organizações indígenas têm liderado projetos para levar internet às aldeias. Veja como foi a chegada da conexão a uma aldeia no Amazonas, contada pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB):

Vídeo 1 – A conectividade do Projeto Rede Conexão Povos da Floresta chegou na Aldeia Tururukari-Uka

Fonte: COIAB (2026). Duração: 2min17. Abrir no YouTube.

Equidade na gestão educacional

Para quem atua na gestão da educação escolar indígena, a conectividade das escolas e das comunidades é também uma pauta de política pública. Observe como é o acesso no seu território: isso será útil nos diagnósticos dos Módulos 3 e 5.

2. Estratégias para estudar com pouca conexão

  • Use o aplicativo Moodle e baixe os materiais quando tiver internet (por exemplo, no Wi-Fi da escola ou do polo) para estudar depois, sem conexão.
  • Planeje os momentos conectados: deixe para esses momentos o que exige internet (enviar tarefas, participar do fórum, assistir a vídeos).
  • Nos encontros ao vivo, desligue a câmera se a conexão estiver instável; o áudio consome bem menos dados.
  • Prefira áudios curtos a vídeos nas suas participações.
  • Escreva antes, publique depois: redija textos longos em um editor no próprio celular ou computador e cole no AVA quando estiver conectada(o). Assim, uma queda de conexão não apaga o que você escreveu.
  • Avise a moderação se a falta de conexão estiver dificultando a participação. Juntos, é possível buscar alternativas.

3. O que é acessibilidade digital

Acessibilidade digital significa que sites, sistemas e conteúdos podem ser usados por todas as pessoas, incluindo pessoas com deficiência visual, auditiva, motora ou intelectual, pessoas idosas e pessoas com conexões ou equipamentos limitados. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015, art. 63) torna obrigatória a acessibilidade nos sites mantidos por órgãos de governo e por empresas com sede ou representação no país.

A principal referência internacional são as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG), do W3C, hoje na versão 2.2 (W3C, 2023). No Brasil, o governo federal adota também o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG) (Brasil, 2014b). As WCAG se organizam em quatro princípios:

Quadro 1 – Os quatro princípios das WCAG
PrincípioO que significaExemplo
PerceptívelA informação pode ser percebida por mais de um sentido.Imagens com descrição em texto; vídeos com legenda.
OperávelA interface pode ser usada de diferentes formas.Navegar só com o teclado, sem mouse.
CompreensívelO conteúdo e o funcionamento são fáceis de entender.Linguagem simples; instruções claras.
RobustoFunciona em diferentes navegadores e tecnologias assistivas.Página que o leitor de tela consegue ler.

Fonte: Elaborado com base em W3C (2023).

4. Recursos de acessibilidade do AVA

No AVA do curso, abra o menu do usuário (as suas iniciais) e clique em Acessibilidade. Na janela que se abre, você pode:

  • escolher o tipo de fonte, incluindo uma fonte desenhada para facilitar a leitura por pessoas com dislexia;
  • marcar Habilitar barra de acessibilidade.

Figura 2 – Janela de configurações de acessibilidade

Janela Acessibilidade com a opção Tipo de fonte, com Fonte padrão e Fonte Dyslexic, a caixa Habilitar barra de acessibilidade e os botões Salvar e Cancelar.

Fonte: captura de tela do AVA Moodle (2026).

Com a barra habilitada, aparecem no topo da tela os botões para diminuir (A-), restaurar (A) e aumentar (A+) o tamanho da fonte e para trocar a cor do site, incluindo uma opção de alto contraste (letras amarelas sobre fundo preto). O botão R volta às cores originais.

Figura 3 – Barra de acessibilidade: tamanho da fonte e cor do site

Barra de acessibilidade no topo da tela com os botões Tamanho da fonte A-, A e A+ e Cor do site R e três opções de cores.

Fonte: captura de tela do AVA Moodle (2026).

Figura 4 – A página do curso em alto contraste e com fonte ampliada

Página do curso exibida em alto contraste, com fundo preto e textos e links em amarelo, e fonte ampliada.

Fonte: captura de tela do AVA Moodle (2026).

Outros recursos que funcionam junto com o AVA:

  • Zoom do navegador: no computador, Ctrl e + aumentam e Ctrl e - diminuem tudo na tela (no Mac, use Cmd). No celular, afaste dois dedos na tela.
  • Navegação pelo teclado: a tecla Tab avança entre links e botões, e Enter os aciona.
  • Leitores de tela, que leem em voz alta o conteúdo da tela: NVDA (gratuito, para Windows), TalkBack (já vem no Android) e VoiceOver (já vem no iPhone e no Mac).

O AVA do curso também tem o VLibras, ferramenta gratuita do governo federal que traduz conteúdos digitais em português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) por meio de um avatar (vlibras.gov.br). Clique no botão azul com o desenho de mãos, no lado direito da tela, e depois selecione o trecho de texto que deseja traduzir.

Figura 5 – VLibras aberto no AVA do curso

Página do curso com a janela do VLibras aberta à direita, mostrando o avatar que traduz o texto para Libras.

Fonte: captura de tela do AVA Moodle (2026).

Você sabia?

Além da Libras, existem línguas de sinais criadas por povos indígenas, como a língua de sinais dos Urubu-Kaapor, no Maranhão. A diversidade linguística indígena também inclui as línguas de sinais.

5. Produzindo conteúdo acessível

A acessibilidade também depende de quem escreve. Ao participar do fórum ou enviar tarefas:

  • Descreva as imagens. Ao inserir uma imagem pelo editor, preencha a descrição (texto alternativo) dizendo o que ela mostra.
  • Use links com nomes claros: "Leia a Lei Geral de Proteção de Dados" em vez de "clique aqui".
  • Organize textos longos com títulos e listas.
  • Não use só a cor para transmitir uma informação ("os itens em vermelho são obrigatórios" não funciona para quem não distingue cores).
  • Acompanhe áudios e vídeos com um resumo em texto ou com legenda.

O editor de texto do AVA tem um Verificador de acessibilidade, no menu Ferramentas. Ele aponta problemas como imagens sem descrição e pouco contraste entre texto e fundo.

Figura 6 – Menu Ferramentas do editor com o Verificador de acessibilidade

Editor de texto da tarefa com o menu Ferramentas aberto mostrando as opções Código fonte, Contador de palavras, Verificador de acessibilidade e Gerenciar mídia.

Fonte: captura de tela do AVA Moodle (2026).

6. Cultura digital e sustentabilidade

A tecnologia também tem impacto ambiental. Segundo o relatório Global E-waste Monitor 2024, da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR), o mundo produziu 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, e apenas 22,3% desse total foi coletado e reciclado de forma documentada (Baldé et al., 2024). O restante pode contaminar solo e água com metais pesados.

Figura 7 – Componentes eletrônicos separados para reciclagem

Grande quantidade de peças eletrônicas trituradas, como placas, conectores e componentes, misturadas.

Fonte: Syced (2024), Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Cuidar da terra, como ensinam os povos indígenas, inclui cuidar do que consumimos:

  • faça os equipamentos durarem mais: proteja-os do calor e da umidade, use capinha e película, faça atualizações;
  • conserte antes de trocar e, quando possível, doe aparelhos que ainda funcionam;
  • nunca jogue celulares, baterias e pilhas no lixo comum, nos rios ou na mata: entregue em pontos de coleta de lixo eletrônico;
  • apague arquivos, fotos e vídeos que você não usa mais: guardar dados na "nuvem" também consome energia.

Experimente

  1. Habilite a barra de acessibilidade e teste o aumento da fonte e o alto contraste.
  2. Navegue pela página do curso usando apenas a tecla Tab.
  3. Instale o aplicativo Moodle e baixe um material para ler sem internet.
  4. Anote as dificuldades de acesso que você encontrou: elas vão entrar no seu Plano individual.

Referências

BALDÉ, C. P. et al. The global e-waste monitor 2024. Geneva: ITU; Bonn: UNITAR, 2024. Disponível em: https://www.itu.int/en/ITU-D/Environment/Pages/Publications/The-Global-E-waste-Monitor-2024.aspx. Acesso em: 11 out. 2026.

BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2014a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm. Acesso em: 11 out. 2026.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 11 out. 2026.

BRASIL. Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023. Institui a Política Nacional de Educação Digital e altera as Leis nºs 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), 9.448, de 14 de março de 1997, 10.260, de 12 de julho de 2001, e 10.753, de 30 de outubro de 2003. Brasília, DF: Presidência da República, 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14533.htm. Acesso em: 11 out. 2026.

BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação. eMAG: modelo de acessibilidade em governo eletrônico. Versão 3.1. Brasília, DF: MP, 2014b. Disponível em: https://emag.governoeletronico.gov.br/. Acesso em: 11 out. 2026.

CETIC.BR. Conectividade significativa: propostas para medição e o retrato da população no Brasil. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2024. Disponível em: https://cetic.br/pt/publicacao/conectividade-significativa-propostas-para-medicao-e-o-retrato-da-populacao-no-brasil/. Acesso em: 11 out. 2026.

CETIC.BR. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2024: resumo executivo. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2025. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/20250512115624/tic_domicilios_2024_resumo_executivo.pdf. Acesso em: 11 out. 2026.

COIAB. A conectividade do Projeto Rede Conexão Povos da Floresta chegou na Aldeia Tururukari-Uka. [S. l.: s. n.], 2026. 1 vídeo (2 min 17 s). Publicado pelo canal Coiab Amazônia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JXxa0_fHIq8. Acesso em: 11 out. 2026.

SYCED. Electronic junk separation in view of recycling 3. 2024. 1 fotografia. Domínio público (CC0). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Electronic_junk_separation_in_view_of_recycling_3.jpg. Acesso em: 11 out. 2026.

TAMAYO, F. Comunario indígena de Santa Rosa del Isiboro. 2018. 1 fotografia. Licença CC BY-SA 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Comunario_ind%C3%ADgena_de_Santa_Rosa_del_Isiboro.jpg. Acesso em: 11 out. 2026.

W3C. Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.2. Tradução: W3C Brasil. [S. l.]: W3C, 2023. Disponível em: https://www.w3c.br/traducoes/wcag/wcag22-pt-BR/. Acesso em: 11 out. 2026.